Comunicação, História e Cidadania – 30 anos da Constituição cidadã x 50 anos do AI-5

Em 05 de outubro de 1988, foi promulgada a Constituição Federal que se diferenciou de suas sete antecessoras, pelo reconhecimento dos direitos civis e polí­ticos de todos os brasileiros e da responsabilidade do Estado frente aos cidadãos. Considerado o principal sí­mbolo do processo de redemocratização nacional, o texto da Carta Magna procurou assegurar as liberdades civis e evitar possíveis abusos de poder por parte de governos e governantes.

Em 2018, comemoramos 30 anos de sua promulgação e, este ano, outra data deve ser lembrada: os 50 anos da promulgação do Ato Institucional n. 5 (AI-5). Na contramão dos direitos civis, este ato é considerado um golpe dentro do golpe civil-militar deflagrado em 1964. 1968 e 1988 se firmaram no espaço polí­tico e histórico brasileiro como perí­odos marcantes. No primeiro, o cenário era de uma Ditadura que potencializava sua influência e poder através de tentáculos que procuravam controlar o pensamento e o posicionamento político da população. Em 1988, vivíamos os primeiros anos de um renascer político.

Nesse confronto histórico, memórias são acionadas e confrontadas pelos meios de comunicação, trazendo à  tona um passado ditatorial, um futuro passado (Koselleck, 2014) de esperança e um presente em que posições polí­ticas conservadoras aparecem novamente e de forma recorrente.

É nesse contexto que os Encontros Regionais da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mí­dia pretendem apresentar e discutir pesquisas que se debrucem sobre a complexidade dos fenômenos vivenciados. O papel dos meios de comunicação deve ser problematizado, em relação à  sua influência e responsabilidade.